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BANCOS PREFEREM TÍTULOS PÚBLICOS AO CRÉDITO

Caderno Fomento 18 de maio de 2010
Fonte: ANFAC


Mesmo com a alta demanda por crédito, os quatro maiores bancos do Brasil (Santander Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil) aumentaram suas posições em títulos e valores mobiliários (carteira formada, basicamente por títulos públicos, debêntures e ações) em 10,82% quando comparados os resultados de março deste ano e do mesmo período de 2009.

Somadas a carteiras dos quatro grandes, o volume de títulos e valores mobiliários (TVM) cresceu de R$ 319,568 bilhões para R$ 354,148 bilhões na base de comparação. Mesmo com a alta na alocação para títulos, não deve haver uma queda da oferta de crédito no curto prazo, na opinião de analistas.

O banco que mais aumentou a posição em TVM foi o Santander Brasil. No fim do primeiro trimestre de 2010, o aumento de volume da carteira foi de 49,5%, quando comparada à do mesmo período de 2009. Em março deste ano, o banco espanhol contava com R$ 74, 826 bilhões em títulos, ante 50,040 bilhões neste tipo de aplicação no começo do ano passado. O pico da carteira aconteceu no último trimestre do ano passado, quando a cifra chegou a R$ 80.616 bilhões. A variação em três meses foi de -7,2%.

Com 12,94% de crescimento em 12 meses, contabilizados a partir de março de 2009, o Bradesco liderou a compra em TVM. Ao final da primeira parte deste ano, o banco apresentou R$ 123,603 bilhões em estoque, ante R$ 109,442 bilhões no ano passado. No final do ano passado, o banco tinha R$ 116,324 bilhões alocados em títulos.

Com o terceiro maior crescimento, o Banco do Brasil elevou o ganho com tesouraria em 5,22% e alcançou no final de março deste ano R$ 56,564 bilhões, ante R$ 53,756 bilhões do ano passado. O pico também aconteceu no fim de 2009, quando o banco tinha R$ 59,927 bilhões em TMV. Entre janeiro e março deste ano, a variação foi de -5,64%.

O único dos analisados a ir na contramão dos demais foi o Itaú Unibanco, que registrou queda de 6,75% da carteira de TMV. Em março, o banco, o que mais apresentou lucro no primeiro trimestre, tinha R$ 99,152 bilhões, ante R$ 106,330 bilhões no mesmo período do ano passado. Em três meses, o banco variou 4,07% e elevou a provisão que era de R$ 95,275 bilhões.

O economista-chefe da Korus Investimentos, Marcelo de Faro, lembra que o período de janeiro a março de 2009 foi uma época muito próxima à crise do subprime e da quebra de bancos norte-americanos que começou em agosto de 2008. "Os ativos brasileiros se valorizaram bastante até o fim de 2009. Para termos uma noção, a Bovespa fechou em alta de mais de 80%. Já no começo do ano, os ativos se desvalorizaram."

Segundo economista responsável pela área de análises e pesquisas da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, o panorama geral é de que no curto prazo não haverá diminuição de créditos.

Ele enxerga que a compra de carteira de TMV por parte dos bancos é uma precaução contra os problemas financeiros da Grécia e da Europa como um todo.

Oliveira destaca que os bancos cada vez mais tendem a comprar títulos do governo pós-fixados, por causa da possível alta da taxa básica de juros, a Selic, prevista pelo mercado.

Para ele, os bancos privados começam a recuperar o espaço dos empréstimos dominados pelos bancos públicos. "Ainda não existe um de problema para o crédito no Brasil. Os bancos estão muitos líquidos e o índice de Basiléia, de praticamente todos os bancos, estão altos."

Segundo ele, as medidas tomadas na Europa para conter a recessão podem minimizar compras dos bancos. O presidente acredita que, se o mercado ficar muito volátil, os investidores buscarão apoio nos títulos americanos. "Se isto acontecer o Banco Central terá de barrar a alta da Selic, pois os produtos que seriam para importação ficam no mercado nacional."

Ele destaca que o movimento de comprar TMV é uma segurança do banco para momentos de incertezas. "Quando os bancos compram mais ativos não quer dizer que eles queiram emprestar menos, no curto prazo. Os papéis pós-fixados vão subir e, por isso, eles compram."

O professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, analisou que os bancos aumentaram sua carteira de TMV por preverem alta da taxa Selic. "Eles conseguem um rendimento maior com a subida da Selic. É tendência que eles comprem mais os títulos públicos."

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